O Ensinamento

Modo de vida

O facto de seguir o discipulado gnóstico proposto por uma tal Escola não deixa de ter consequências na vida.

Trata-se, antes de mais, de que o aluno faça nascer uma alma consciente, livre, que possa determinar de maneira autónoma a sua evolução espiritual.

Aquele que tenta fazer viver essa consciência da alma - na Escola falamos de “Renascimento da Alma Original” - vai, pois, recusar na vida tudo o que obscurece e torna pesada a sua consciência. Primeiro, ao nível mais grosseiro: tabaco, álcool, drogas, excessos alimentares, etc... Mas sobretudo vai desmascarar e neutralizar em si mesmo toda a tendência para o fanatismo, para o sectarismo, para o dogmatismo, toda a forma de exclusão e de racismo e toda a espécie de dependência, incluindo a de um mestre ou de um guru, visível ou invisível.

Em seguida, fará tudo o que é necessário para manter o corpo de boa saúde e a consciência equilibrada. Ele aplica os preceitos de uma vida sã, que exclui todos os excessos. Aceita os cuidados e os conselhos de médicos esclarecidos e recusa curandeiros, magnetizadores ou charlatães!

Ele tem uma ideia superior da vida do casal e do papel da célula familiar. Educa os seus filhos segundo a sua orientação elevada, livre de todo o condicionamento.

De maneira geral, o aluno nunca entra em luta com as formas religiosas ou culturais dos outros e respeita-as enquanto reflexos do conhecimento absoluto.

Não se agarra a nenhuma ideia, ponto de vista ou opinião, esforça-se por viver em conformidade com as exigências de uma alma consciente.

O Rosacruz age segundo o princípio “estar no mundo, sem ser do mundo”. Ele está, portanto, plenamente consciente do que realiza.

Ele esforça-se, numa liberdade interior total, por tudo o que vai no sentido do respeito e da nobreza do homem, da sua elevação espiritual, e recusa tudo o que o avilta e o degrada ao estado de animal humano.

Embora permaneça livre de todo o partido ou ideologia e de todo o compromisso partidário, ele cumpre, contudo, os seus deveres de cidadão na sociedade - irradiando simultaneamente a ideia superior de vida a que se consagrou.

 

Liberdade de consciência

 

A Escola parte da constatação de que nem a consciência do homem nem o seu pensamento são (verdadeiramente) livres.

Múltiplas influências exercem-se sobre ele e exprimem-se na sua consciência: cultura, educação, sangue, hereditariedade, raça, religião, etc...

A Escola afirma que é possível fazer nascer no homem uma consciência nova, livre de todas essas influências: uma consciência da alma que se abra ao universal.

Assim, a liberdade de consciência, no sentido elevado do termo, como a concebem os Rosacruzes, conquistada com árdua luta, é a assinatura do Homem-Alma renascido e consciente.

Um dos princípios de trabalho da Escola com os seus alunos é, portanto, o respeito dessa liberdade de consciência; não é que a consciência seja um valor absoluto, mas ela encerra a possibilidade de se abrir a uma outra dimensão do ser.

Uma consciência nunca se transforma sob constrangimento, fá-lo sempre por se ter tornado receptiva a valores superiores e por estar pronta a fazer desaparecer o que a possa impedir de ver e compreender.

Diz-se então de um tal aluno que “segue a voz da alma”. Na Escola, ele é colocado num contexto tal que o faz empreender por si a libertação da consciência de toda a sugestão ou projecção que não estejam de acordo com o seu ser real, com a sua alma consciente. Ele liberta-se então dos condicionamentos e das influências que limitam a sua percepção e torna-se capaz de se abrir às radiações que provêm da Fonte original, do domínio da Vida Verdadeira a que aspira. A Escola oferece essa possibilidade. Cabe ao aluno utilizá-la segundo o seu estado interior. Ninguém pode, pois, ser submetido a uma autoridade exterior.

A Escola cuida de que essa autonomia, essa orientação livre para o objectivo único seja assegurada em todos os seus círculos de trabalho. As pessoas tornam-se alunas por necessidade interior, por uma aspiração que provém do Ser profundo e por uma compreensão do objectivo da vida. Pode-se, a todo o momento, interromper ou retomar esse discipulado.

Nos ateliers de trabalho, os alunos são convidados a tomar a palavra, para procurar em conjunto os elementos libertadores do Ensinamento e para dar testemunho da experiência vivida do discipulado.

Um triplo princípio anima as reuniões:

  • UNIDADE no que diz respeito às coisas essenciais;

  • LIBERDADE de seguir o Caminho;

  • AMOR como princípio de todas as coisas.

 

O Ensinamento: temas

Alguns temas do Ensinamento:

  1. O homem é um cosmos em pequeno, um Microcosmo.

    Expressão de um pensamento universal, ele possui em si as infinitas possibilidades da ideia criadora original que lhe deu origem.

    Mas esqueceu a sua verdadeira natureza e erra neste mundo, aspirando à perfeição que o chama.

    A Gnose é a ciência sagrada que lhe permite o regresso ao Estado sublime de Outrora.

     

  2. Há duas ordens de natureza distintas.

    -
    O mundo dialéctico onde nos encontramos temporariamente, mundo das oposições, dos contrários: bem/mal, amor/ódio, vida/morte, etc... Nele, todos os valores se transformam nos seus contrários.

    - O mundo original, o “Reino que não é deste mundo”, pátria do homem verdadeiro, do Homem-Microcosmo. É o ponto de partida de todo o trabalho de libertação.

     

  3. As ilusões do além:

    O nosso mundo dialéctico compreende duas esferas: uma aqui em baixo, visível, e outra no além, invisível, onde estão os mortos. A Rosacruz chama esfera reflectora a esse domínio, porque nele projecta-se e toma forma tudo o que a mentalidade e as cobiças do homem criaram, adoraram ou odiaram.


    Esse domínio presta-se a todas as construções possíveis, a todas as mistificações: inferno, paraíso, aparições, anjos de luz, mestres,... O Gnóstico adquire o “discernimento dos espíritos”.

     

  4. Os processos de Renascimento e de Transfiguração:

    Assim que um homem reconhece e experimenta o poder latente escondido na Rosa do coração, revela-se-lhe o Plano universal do retorno à origem.

    É o despertar e o crescimento progressivo de um novo princípio-alma que vai provocar nele uma transformação total da consciência e de todos os fluidos psíquicos e corporais.


    Esse processo só pode ser realizado na força provinda do mundo original.
    A Transfiguração é a regeneração total do microcosmo caído e a ressurreição nele do Espírito Universal.

     

  5. Campo de Força e campo de Luz:  

    Toda a Escola dos Mistérios consagrada à libertação dos homens dispõe de um campo de força pura onde vibra a ideia-força libertadora do verdadeiro homem criado por Deus.

    Esse campo de Força torna-se progressivamente um campo de Luz recriador da consciência original.

 

Os livros da Rosacruz Áurea

As escrituras sagradas de todos os tempos usam todas a mesma língua e descrevem-nos o caminho libertador tal como apresentado por todos os grandes instrutores, os Enviados mundiais.

Podemos falar aqui de um Ensinamento Universal porque ele se dirige ao universal no homem. Nem antigo, nem novo, o mesmo ontem e hoje, ele desvenda o caminho de regresso ao domínio da vida verdadeira, à Fonte universal de Vida.

A Rosacruz Áurea propõe-se mostrar-nos esse caminho e o processo que conduz a ele.

Os textos que dizem respeito ao Ensinamento da Rosacruz Áurea formam um instrumento precioso que permite a cada um aprofundar a filosofia libertadora. Esses livros ilustram as diferentes fases do caminho proposto ao aluno e que vai ser vivido de maneira concreta.

Com a publicação (ainda em curso) da totalidade da obra de Jan van RIJCKENBORGH e de CATHAROSE DE PETRI são apresentados:

  • o desenvolvimento e a progressão de uma pesquisa que culmina na irrupção da consciência nos domínios do Absoluto;

  • a edificação de uma Escola Espiritual Gnóstica sobre as linhas de força do caminho vivido.

Uma obra fora do tempo, de dimensões universais, capaz de tocar todo o homem em busca de uma renovação total da consciência e da vida.

A actividade da Stichting Rozekruis Pers, editora dessa obra, está indissoluvelmente ligada à da Escola Espiritual.

 

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